SOS Mata Atlântica: Uma agenda positiva para 2017

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Artigo de Marcia Hirota* – Ao longo dos seus 30 anos, completados em setembro de 2016, a Fundação SOS Mata Atlântica tem construído uma agenda positiva para a Mata Atlântica. Uma atuação inovadora, que valoriza e estimula a mobilização, o conhecimento e o fortalecimento de políticas públicas ambientais eficientes e arrojadas. Compromisso esse que queremos renovar neste início de ano.

A história da defesa da Mata Atlântica é uma história de luta coletiva e cada conquista só foi possível graças à entrega e dedicação de muitas pessoas.

Ainda há muito a ser feito e os atuais contextos políticos e econômicos do Brasil tornam ainda maior o nosso desafio.

Precisamos, com urgência, trazer a agenda ambiental para o centro das decisões do país e que o desenvolvimento aconteça aliado à conservação da natureza.

Por isto, em 2017, continuaremos a monitorar e informar a sociedade sobre a evolução dos indicadores da cobertura florestal, da qualidade da água, das áreas protegidas e da implementação de políticas públicas positivas.

Atentos, daremos continuidade também ao acompanhamento e combate às iniciativas que buscam flexibilizar a legislação ambiental, estimulam o desmatamento ilegal e poluem nossas águas. Buscaremos também inovar, como no estímulo à criação de um marco regulatório para o ambiente marinho e ao cumprimento do Código Florestal, fundamental para alavancar a restauração das nossas florestas e dos serviços ecossistêmicos.

Tudo isto só será possível com o engajamento da sociedade e apoio de todos vocês, parceiros, voluntários, filiados e amigos, fortalecendo nossas alianças para juntos inspirar a sociedade na defesa da Mata Atlântica!

*Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica

 

Mulher: Aqui jaz o sexo frágil!

Por José Roberto Marques

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Não, a mulher não é o “sexo frágil”. Também não é o “segundo sexo”. O que coloca as mulheres na situação de fragilidade e numa suposta segunda posição da fantasiosa hierarquia dos gêneros é a cultura do machismo e do patriarcalismo.

Por isso, é importante termos discussões voltadas especificamente para as mulheres, a fim de que elas se conheçam cada vez mais, assumam seu protagonismo na vida, na sociedade e em si mesmas. Para que elas tenham as mesmas condições que nós, homens, de tomar as rédeas das suas vidas sem precisar ser à sombra do gênero oposto.

VENCENDO BARREIRAS E CONQUISTANDO SEU ESPAÇO

É claro que debater a saúde da mulher, nesse sentido, é compreender um pouco também de uma “saúde social” que envolve a cultura do nosso povo. Segundo ranking anual do Fórum Econômico Mundial, o Brasil avançou 20 posições em termos de igualdade de gênero, saindo da 82ª para a 62ª posição, entre 135 países pesquisados.

O aumento da participação feminina em cargos políticos e em sistemas educacionais são os principais responsáveis pela melhoria do índice.

“Isso é coisa de homem e isso é coisa de mulher” diziam (dizem) os pais. Esses ensinamentos de infância refratam a realidade do trabalho e nos faz compreender porque, até hoje, raramente vemos mulheres operando máquinas, e, quando vemos, chamamos a imprensa para fazer uma reportagem, já que se torna a algo incomum, exótico, extraordinário.

Dentro desse contexto, exaltemos a personalidade transgressora da mulher e incentivemos os homens a não terem medo de pisar no solo tido como feminino. Podemos caminhar por todas essas representações, experimentá-las, nos identificarmos com elas – ou não – e construir uma identidade própria. Permita-se!

 

 

Costureira e ama de leite

Por Ernesto Manzi – São Paulo

ama de leite imagem ilustrativa serra da mantiqueiraTendo por hábito ler as crônicas do historiador José de Souza Martins, deparei-me um dia com o seguinte título: “Seios de aluguel”. Resolvi então pegar uma carona nela para contar uma história sobre a generosidade de Benedita da Máquina.

Eu a conheci na minha infância, na Villa do Buquira, hoje Monteiro Lobato. O cenário era uma pequena sala de tijolos sem revestimento, uma mesa com a máquina de costura manual, movida à manivela.
Três mulheres de três gerações compunham a cena: a mãe, ex-escrava Chica Caetana, sempre quietinha e cochilando, ficava ao lado da única filha, Benedita da Máquina e esta, por sua vez, tinha como ajudante nos acabamentos, sua filha Geralda.

Benedita era especialista em roupas de homens e seus cinco filhos estavam sempre bem vestidos. Também foram muito bem nutridos, pois ela possuía muito leite, o que atraía as mães que não possuíam o mesmo privilégio.

Era frequente ver bebês, satisfeitos e seguros, dormindo no colo dela, que nada cobrava por esse tipo de trabalho e muito raramente alguém a presenteava por ele.

Faleceu antes da mãe, a centenária Chica Caetana, que quando escrava, deveria também prestar este tipo de serviço aos seus donos, por obrigação.